Filipa Torres

-o peixe do fim-

Primeiras ideias

Durante o meu percurso na faculdade tem existido um elemento que entra nas minhas obras recorrentemente: o peixe. De modo tanto físico como conceptual adquiriu um relevo no meu imaginário que não consigo explicar completamente. No ano passado em Desenho 3, projectei uma série de quatro desenhos que mostrariam quatro momentos do dia de uma rapariga. Esta rapariga, depois de ter lido um livro, tinha alucinações em que via peixes a habitar lugares aos quais não pertencem normalmente ( a embaterem num candeeiro de rua como insectos; humanizados, a atravessar na passadeira; a “nadar” numa parede). Usei estas alucinações como tentativa de ilustrar uma sensação que acho interessante: por vezes uma experiência de literatura, cinema ou música tem a capacidade de alterar o nosso estado, num sentido quase narcótico.

O último desenho da série que criei chama-se “o peixe do fim”. Neste desenho a rapariga é habitat e é ser híbrido, é durante o sono que acontece a metamorfose para peixe.

Decidi continuar a explorar estas ilustrações em Práticas da Escultura I. E porque o que sempre faltou no meu projecto de desenho foi a vertente tridimensional, decidi recriar “o peixe do fim” numa escala aproximada à real.

Montagem- fotografia, desenho

 

Materiais e técnicas- influências

Uma das coisas mais importantes na construção do trabalho foi a escolha de um material que lhe oferecesse uma expressão parecida com a da ilustração que fiz. Alguns aspectos – a massa do corpo um pouco indefinida, quase tosca, o peso das espinhas com membranas na composição, o rosto e mãos como elementos humanos definidos- guiaram-me para uma construção em tecido. Com uma mistura de têxteis diferentes conseguiria trabalhar aspectos como cobertores, partes humanas, partes de peixe, e misturá-los, uniformizá-los ao ponto de parecerem equilibrados e fazer parte do mesmo corpo. Ao mesmo tempo, pelo uso de gangas e gaze entre o azul e o negro, conseguiria dar o ar marinho que tinha captado no desenho com a diferença de mancha.

Existiram referências importantes de artistas que me permitiram perceber o que queria ou não fazer com o tecido:

-Louise Bourgeois

Spiral, 2003                                               Hand, 2001

tecido, peça suspensa                             tecido, aço, madeira e vidro
 

-Teresa Wilson                                       -Gabriella Falk
Small Head 003f                                    Crossing the Border
                        

 

-Ann Wood
Chillingworth

 

Construção

A construção da peça aconteceu por fases. A primeira foi a de encontrar uma maneira de fazer a cara e as mãos da figura em têxteis, mas sem que perdessem os pormenores realistas humanos. Decidi então usar moldes ( de gesso para a cara, em pasta de modelar para as mãos) e depois forrá-los com uma mistura de papel e cola branca que deram origem a máscaras rígidas. Só depois colei pequenos retalhos de tecido na superfície.

O corpo e as espinhas surgiram da modelação de rede de fio metálico. Os pedaços de tecido foram cosidos na rede.

– imagens do processo

    

 

– resultado final

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