Joana Maltez

Espectro

Serão vários os espaços que frequentamos diariamente, no entanto, nem todos nos influenciam da mesma maneira. Acabamos por, de uma forma quase imperceptível, criar relações com alguns deles. Esse habitar de um espaço acaba por caracterizar a nossa forma de pensar, de estar, de agir e mesmo de criar. No fundo é quase como se houvesse uma fusão entre o espaço e o corpo que o habita.
O termo mais correcto será, talvez, o de metamorfose, pois acaba sempre por existir uma mudança na forma e na estrutura do corpo, bem como um desenvolvimento para um estado mais avançado.
Interessava-me explorar esta ideia, no entanto, não me interessava essa ideia de metamorfose do corpo com qualquer espaço, mas sim com um espaço em específico. Assim, parti para uma recolha de objectos desse espaço, bem como, para a moldagem de pequenas partes do corpo.
Um aspecto que para mim era importante era que o resultado não fosse uma representação real e objectiva. Pelo contrário, pretendia desenvolver o trabalho por um caminho próximo ao da abstracção. Neste sentido fui tentando perceber de que forma é que conseguiria transpor estas ideias para um objecto tridimensional.
Comecei por fazer um molde do meu braço e a sua reprodução em cera, uma vez que este era um material que me permitiria uma fusão de elementos através do calor. A partir daqui fiz uma experiência em plástico transparente, mas rapidamente percebi que apesar de me interessar pela abstracção o método utilizado não produzia resultados satisfatórios.
Produzi, então, uma série de trabalhos em pvc transparente através de um método de vácuo, onde procurei que estivesse presente essa ideia de relação metamórfica entre corpo e espaço. Procurei tirar partido do próprio material para com ele conseguir obter imagens em nada representativas da realidade, mas sim que remetessem para um lado mais espectral e mais fantasmagórico, para uma ausência/presença.
Deste ponto em diante procurei explorar outras possibilidades. Uma delas foi a questão de poder reproduzir noutro material as imagens construídas.
Fiz algumas experiências em silicone que me levaram a perceber que os objectos, apesar de semelhantes na sua forma, se distanciavam. Aqui, pelas características do material, existia uma aproximação à ideia de pele. Esta foi uma questão que me interessou, no entanto, por questões técnicas percebi que teria de adoptar um material diferente que me permitisse obter um resultado semelhante. Sendo a minha ideia a construção de uma pele de grande escala apercebi-me, também, que teria alguns problemas com as uniões dos plásticos, uma vez que estas ficariam marcadas na “pele” e isso não me interessava. No decorrer do semestre não me foi possível resolver esta questão, ainda assim é algo que quero continuar a explorar.
Decidi procurar uma situação expositiva para as imagens em pvc. Fiz algumas experiências e na sequência das mesmas encontrei um espaço onde considerei que o trabalho poderia resultar.
Na sequência da montagem do trabalho surge um aspecto do qual não me teria apercebido se não o tivesse levado para o espaço: as sombras. Aqui surgem novas imagens a partir daquelas que criei e que prolongam a questão da abstracção. Foi um aspecto que me interessou e que pretendo explorar posteriormente.

Algumas imagens iniciais:

Instalação:

Pormenores:

Referências:

Benjamin Lord

False Positives I, 2011.  Clear plastic, wooden artist’s frame,  27 x 43.5 inches (ed. of 3)

False Positives I (detail)

Richard Deacon

Rachel Whiteread


Untitled (Rubber Torso), 1994
High Density Rubber
3 1/2 x 7 1/8 x 10 3/8 inches
(9 x 18 x 26.5 cm)

House, 1993
Concrete

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