Joana Proença

Introdução / Referências

O tema que deu origem ao tabalho desenvolvido nesta disciplina trata-se de ”o cão”. O cão é uma espécie animal que foi criada pelo ser humano através da domesticação do lobo cinzento, segundo alguns estudos, há mais de 15 000 anos.  Esta domesticação deu-se através da reprodução selectiva, em que o homem escolhia para companhia as crias mais doceis, ou as que tinham características fisicas que mais lhe apraziam como por exemplo a cauda enrolada, orelhas caidas, etc, e permitindo apenas o acasalamento destes animais, daí a origens das diferentes raças que conhecemos hoje em dia.

A adopção deste animal deveu-se inicialmente ao facto de ter uma alimentação muito semelhante à do homem, e às suas capacidades de avisar de possíveis ameaças cujos seus sentidos de olfacto e audição, muito mais apurados, conseguiam detectar muito antes do homem. Em troca recebiam protecção e alimentaçao da tribo humana.

Posteriormente os cães juntaram-se às actividades de caça e continuaram ao longo da história a auxiliar o homem nas mais diversas actividades como as que conhecemos hoje, desde buscas de pessoas desaparecidas, aos cães guias dos invisuais, etc.

Uma forte caracteristica deste animal que contribuiu para a criação e floresciento desta ligação entre espécies  é a sua grande capacidade de adaptação, tanto que o cão evoluiu de modo ter a capacidade biologica de compreender a linguagem corporal humana; por exemplo, um cachorro com poucos meses de idade quando confrontado com uma situação em que precisa de ajuda olha automaticamente nos olhos do humano à espera de orientação.

Desenvolveu-se ao longo dos séculos uma forte ligação de amizade e entre ajuda, das quais a história nos dá exemplos que ficaram na memória colectiva como é o caso de Balto, um cão meio husky siberiano meio lobo que, em 1925, salvou as crianças de uma cidade no Alasca vítimas de uma epidemia de difteria e que, devido a fortes tempestades de neve, ficaram isoladas sem a possibilidade de receberem os medicametos, estes foram apenas possiveis de obter graças a um trenó puxado por uma matilha de cães liderados por Balto que percorreram, jutamente com o condutor Gunnar Kasson, 1600 kilometros para conseguirem os medicamentos. Segundo Gunnar Kasson, a tempestade de neve era tal que ele não conseguia ver o caminho pelo que se deixou guiar pelos instintos do seu lider de matilha e assim conseguiram cumprir a sua demanda. No Central  Park em Nova York encontra-se uma escultura em bronze de Frederick Roth em homenagem a este cão.

Uma outra escultura de homenagem a um cão trata-se de Hachiko de Takeshi Ando que se encontra na estação de Shibuya em Tóquio. Hachiko era uma akita que tinha por hábito ir esperar o dono, professor na universidade de Tóquio, à estação quando este regressava do trabalho até que um dia o dono não regressou pois teve uma hemorragia cerebral enquando trabalhava. Hachiko continuou na estação a aguardar o durante nove anos, espera que terminou com a morte do cão.

Há também uma escultura de William Brodie, em homenagem a Greyfriars Bobby, um skye terrier  que seguiu o dono, um policia escocês, por todo o lado durante a sua vida e após o dono ter falecido guardou a sua campa durante 14 anos e lá terminou a sua vida. Tratam-se de histórias que revelam a capacidade de devoção dos cães aos seus donos, seres estes talvez os únicos capazes do amor absoluto.

Balto, Fredrick Roth, bronze, 1925, Central Park Nova York

 

Hachiko, Takeshi Ando, bronze, 1948, Estação de Shibuya Tóquio

Greyfriars Bobby, William Brodie, bronze, 1873, George IV Bridge Edinburgo

 

Processo

Queria com este trabalho explorar a escultura em pedra, não sópor querer experimentar trabalhar com este material mas também pela ideia de nobreza e perenidade a ela associados.

Comecei por fazer pequenos estudos em barro para procurar a forma final que daria ao cão.

Realizei também um estudo em barro do busto do cão que pretendia representar, para tentar procurar a maneira de dar a ideia de pelo, uma vez que este é impossivel de reproduzir em barro, tentei explorar a melhor maneira de o sugerir, Escolhi o pormenor da cabeça para também estudar a forma representação das feiçoes e da expressão.

 

Passei então para a realização em barro da maquete da peça final a ser realizada em pedra. Enquanto que no estudo inicial que fiz do busto modelei tudo directamente, tanto a estrutura como o relevo do pelo,  para esta maquete decidi adoptar um processo de modelação mais clássico em que comecei por modelar o corpo do animal despido de pelo, para tal recorri a livros de anatomia canina para melhor compreensão da estrutura dos ossos e da forma dos músculos. Só então é que acrescentei o pelo à forma, colocando camadas de barro por cima do corpo nú modelado.

 

Quanto à modelação do pelo, neste estudo procurei experimentar diferentes linguagens, uma em que ia sobrepondo pequenas tiras de barro modeladas com a forma de madeixas de pelo, numa segunda experiencia tentei dar uma configuração mais estilizada ao pelo, um pouco mais afastada da sua configuração real e numa terceira acrescentava por cima do corpo camadas de barro que depois com os dedos criava reentrancias para sugerir a ideia de madeixas, que resultava num efeito mais subtil que os anteriores, e com as unhas tentava dar a ideia de melo. Achei mais interessante o resultado que obtinha com este ultimo processo talvez por dar um ar mais natural pela marca da presença da mão, ao contrario da experiencia do busto em que marcava as linhas do pelo com uma ferramenta e estas resultavam demasiado marcadas e artificiais.

 

Quanto à realização do trabalho final em pedra, quiz aproveitar a ocorrência do workshop de escultura em pedra orientado pela professora Susana Piteira que ocorreu nas duas primeiras semandas de Dezembro. Quiz aproveitar a oportunidade para aí dar início ao trabalho uma vez que não tinha experiência nenhuma com esta matéria. No entanto na data do workshop não tinha ainda a maquete em barro terminada, tendo apenas concluido a modelação do corpo despido, utilizei a maquete apenas para me guiar nas porpoções e quanto ao acabamento usei como referência uma fotografia.

O facto de não ter terminado a maquete em barro por altura do inicio do trabalho da pedra, fez com que trabalhasse diferentes processos em simultâneo: o construtivo e o subtractivo. Este intercruzar dos dois processos acabou por me ter resultados proveitosos pois a subtracção na pedra ajudou.me ajudou-me a ultrapassar a dificuldade que estava a ter com a representação do pelo no barro uma vez que esta é melhor conseguida através deste  processo, enquanto que consiguia também experimentar no barro configurações a dar a pedra quando surgiam dúvidas, uma vez que na pedra, realizada uma acção, já não se consegue corrigir sem que se perca grande parte da dimensão da peça.

Relativamente ao processo de trabalho, comecei com um bloco de mármore com uma forma já ligeiramente arredondada, ao qual tive de tirar altura para conseguir as dimensões que pretendia e depois dar-lhe a configuração do redondo do cão a dormir. deixei duas zonas mais altas, a da cabeça e do caracol de pelo, e fui retirando o resto com recurso a rebarbadora, cinzel e maceta. Depois, para homogenizar mais a forma, utilizei uma mó, e fiquei com o volume definido, então passei para a parte de acabamento em que procurei dar a textura do pelo utilizando uma retificadora com um disco pequeno. Após a conclusão deste desenhar do pelo, achei que a peça estava demasiado homogénia pelo que comecei a criar um relevo mais acentuado para assim conseguir mais negros na peça. Esta alteração no acabamento pretendido fez com que não conseguisse chegar a um resultado final durante o tempo de aulas, pelo que este trabalho será para continuar até chegar a uma forma que me satisfaça.

A experiência que tive com este novo material foi algo que gostei bastante, e através dela adquiri uma maior compreenção dos processos da criação tridimensional e que me abriu horizontes para futuros trabalhos.

 

 

 

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