Verónica Melo

Esculturas de cartão

Tendo  em conta que o curso que frequento é Artes Plásticas e que a minha formação vai ser quase totalmente em Pintura, achei que seria interessante estender, explorar, completar o meu projecto de pintura com algumas peças tridimensionais , experienciar a tridimensionalidade afastando-me um pouco da bidimensionalidade a que estou muito ligada apesar de, nos sítios que pinto, quando os pinto, imaginar-me “dentro” desses mesmos sítios.

Para a execução das minhas pinturas em técnica de aguarela recorro a imagens da paisagem açoreana da Ilha de São Miguel, na qual nasci e vivi antes de vir estudar para o Porto. Essas imagens são fotografias que eu tiro, mas durante o processo de execução não me restrinjo às imagens fotográficas, é um processo muito pessoal na qual as minhas emoções em relação aos locais que pinto, também tomam o seu lugar mais inconscientemente do conscientemente visto que são locais de recordações, emoções, vivências intensas e entranhadas em mim, de tal modo que sinto tal necessidade de representar esses lugares, esses meus lugares que me fazem sentir em casa quando pinto.

Abaixo apresento algumas imagens das minhas pinturas:

Tendo em conta que em todas as minhas pinturas estão presentes montanhas, relevos, pretendo representar esses relevos, traduzi-los em peças de escultura.

Assim, procurei um material leve, fácil de utilizar e rápido que me permitisse avançar como a aguarela, quase exaustivamente, um processo de execução rápido e frenético, assim achei que o cartão seria o material mais adequado ao trabalho que quero desenvolver, tendo em conta a  pesquisa que desenvolvi, a acumulação e sobreposição e a colagem são três acções que vão estar maioritariamente presentes no meu processo de trabalho, porque vai ser atraver dessa acumulação, sobreposição e colagem, que vou conseguir formas que correspondam aos relevos que quero criar.

Abaixo estão algumas primeiras experiências que desenvolvi para testar o processo.

Para chegar a estas ideias as minhas pesquisas e referências tal como o trabalho que desenvolvi até agora, não só o de pintura, mas de outras áreas como cerâmica e desenho também estão de alguma forma ligados aos trabalho que desenvolvo agora e influenciam grande parte do que pretendo atingir ou chegar a criar nestes futuros trabalhos, neste caso de escultura. Assim apresento imagens de trabalhos, de fotografias, de materiais, de todos o tipo de coisas que me influenciam.

Referências

Meus trabalhos:

http://users.fba.up.pt/~lap08077/SiteID/index.html

Este site contêm desenhos deste mesmo projecto , utilizei os desenhos desenvolvidos em Desenho III para desenvolver este site em Imagem digital.

Desenho III – Desenhos de projecto

Fotográficas

Outros artistas

Maya Lin

Noriko Ambe

KL+NB architects artificial landscape

Maud Vanteurs

Phoebe Washburn

Rip Curl Canyon

Com tudo isto a minha intenção é criar um conjuntos de peças  de/com determinados volumes que irei definir que traduzam tridimencionalmente as representeções que tenho vindo a fazer em pintura encaixando-se assim no que se pode designar por práticas de escultura.

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Mais Referências

Tobias Putrih

Guy Laramee

•   Desenvolvimento:

Inicialmente comecei por pensar que tipo de cartão poderia ser mais adequado ao tipo de trabalho que pretendia desenvolver, acabei por ir comprar umas placas de cartão umas finas e outras grossas de modo a experimentar.
Comecei por fazer umas experiências com as ideias que tinha em mente e fui cortando placas de cartão e colando umas em cima das outras criando formas que sugeriam montes ou montanhas.

Nas imagens acima está a peça que realizei com as placas de cartão que comprei, contei-as com formas que se aproximavam da minha idealização da peça e para ter uma noção do resultado, e se iria continuar com a mesma ideia. Na minha ideia o resultado que pretendia começava de aldo deste género mas mais extenso, na horizontal.

Depois desta experiencias e com base em algumas pesquisas que fui desenvolvendo ao longo do trabalho, fui mudando o rumo que queria que o trabalho seguisse.
Então mudei a forma de construção das peças, também com algumas dicas do professor e colegas, em vez de continuar recortando as formas e colando-as, comecei a colar cartão sem o recortar já com a forma antes, mas colando o cartão e só depois fui recortando com bisturi e esculpindo assim algumas formas, pareceu-me que resultava melhor assim, e então comecei a procurar cartão e a pedir caixas em várias lojas para que pudesse reutilizar visto que iria trabalhar muito mais rápido e iria precisar de muito cartão, não tinha lógica não reutilizar ou reciclar cartão.
A primeira peça resultante deste método de trabalho agradou-me bastante ainda que se estivesse a distanciar das ideias iniciais.

A partir desta peça comecei, ainda que não tivesse posto de lado a ideia de trabalhar na horizontal, a trabalhar na vertical e acabei intuitivamente por me ligar a essa forma de trabalhar, tentei não limitar muito o meu processo de trabalho porque sabia que corria o risco de me prender demasiado a uma ideia, acabando por deixar de apreciar determinados resultados e podem muitas vezes ser fortuitos, em detrimento de seguir sempre a ideia inicial e procurando sempre satisfazer essa vontade.
Neste caso isso não aconteceu, tentei ter sempre um olhar exterior e fui sempre perguntando a pessoas exteriores ao trabalho a sua opinião, felizmente fazia-lhes lembrar sempre as representações que procurava.

Apesar de inicio a minha ideia de criação estar muito ligada ao meu trabalho de pintura, ao mesmo tempo sentia necessidade de me afastar um pouco, e apesar de ter procurado criar relevos que tivessem de algum modo uma correspondência formal com as pinturas, depois acabei afastando-me disso, tendo resultado em algo de bom, a meu ver. No decorrer do trabalho tendo em conta os resultados que ia tendo e a forma de trabalhar, de construir, ia-me afastando das montanhas com volumes suaves e verdes para uns volumes que se aproximam mais do rochoso e da acumulação de sedimentos por camadas, e de certo modo é uma acumulação por camadas mas sim de cartão.

Fotografias de São Miguel, Arquipélago dos açores.

Fotografias retiradas da internet.

E tendo tomado consciência disso achei que seria interessante fugir um bocado do que tinha inicialmente pensado mas ao mesmo tempo continuando a trabalhar do mesmo modo, só não levei, ou não limitei o processo à ideia inicial e fui apreciando o que ia surgindo.
Achei interessante a descoberta das ferramentas para esculpir, ao passar para volumes de cartão maiores que a primeira experiência, tive que repensar o meio actuante, assim do bisturi (que partiu no fim da primeira experiencia) passei para uma faca eléctrica, que até deu jeito até certa altura mas depois de uma hora a trabalhar com esta ficava com a mão dorida e sem ter feito grande avanço e sem grandes pormenores, ou seja não tinha grande à vontade nem margem de manobra. Ainda experimentei algumas serras, mas nenhuma deu jeito, só mesmo o x-acto.

Antes

Depois

“It looks like annual rings of a tree or topographical map or wave, but it isn’t. It is absolutely the traces of actions of a person, which is me.”  Noriko Ambe
“When I am drawing or cutting lines, I am interested in observing the power of the changing growing shape. This dynamic shape becomes an entity in itself, “Another geography”. “  Noriko Ambe

Nestas duas citações encontrei aquilo que poderia escrever sobre o meu trabalho mas que Noriko  Ambe escreveu sobre o seu, trabalho no qual também me baseei.
Com a evolução do trabalho dei por mim mais interessada num jogo entre cartão e x-acto e criação de formas orgânicas e descoberta de novas formas de atingir outras formas orgânicas, que quando me apercebia estava totalmente focada no toque e na suavidade que transmitia a zona do cartão acabada de cortar, e a possibilidade de criar reentrâncias e quase pintar tridimensionalmente, “pintar” com um X-acto em cartão, fascinou-me o acto em si.

“for subtle natural distortions convey the nuances of human emotions, habits, or biorhythm”
Noriko Ambe

Emoções, hábitos do ser humano encontradas nas linhas orgânicas e desalinhadas, ir esculpindo, ir construindo, ir descobrindo marcou mesmo esta forma de acção sobre cartão, por mais simples que possa parecer…

“Simplicity is not an objective in art, but one achieves simplicity despite one’s self by entering into the real sense of things.”
Constantin Brancusi

Referências

Apesar de não ter encontrado muitas referências, dentro das que encontrei, cada artista tinha trabalhos muito interessantes e variados que serviram de referências em várias fazes do projecto. (Para além dos que estão abaixo representados existem outras referências no blog).

Tobias Putrih

Maya Lin

  • Conclusão

Trabalho Final

          Neste trabalho como no anterior a este interessou-me o desequilíbrio ilusório, um bocado “irónico” uma peça maciça como esta é de estranhar poder ter um desequilíbrio a meu ver um “suave” desequilíbrio. Foi toda esculpida a x-acto. Ficou com um jogo de cores do qual tentei tirar partido, porque tinha que ver com as cores dos diferentes cartões, o que deu mais enfase às camadas.

Todas as peças que inicialmente iriam ser montanhas acabaram por ser partes de montanhas. Montanhas de cartão, montanhas de pedra, montanhas de cola, montanhas de cortes e montanhas de procura…

Se tivesse mais um semestre… provavelmente aprofundaria muito mais estas peças visto que não são muitas, comecei a achar interessante a escala maior que poderia continuar a ser esculpida de modos diferentes, o processo de colagem e corte e sobreposição atrai-me bastante, o que faz com que sinta necessidade de produzir mais peças dentro deste projecto mesmo que já não seja para a disciplina, talvez experimentando com outros materiais e em escalas diferentes conseguisse chegar a uma situação em que ficasse realmente satisfeita…ou não, isso é sempre difícil.

outras referências:

 

Miika  Nyyssonen

 

Nina Lingren

 

Henry Klimowicz

 

Helen de Main

 

 

 

 

 

1 thought on “Verónica Melo

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